sexta-feira, setembro 11, 2026
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Hepatite A: Sintomas, Transmissão e Como se Proteger e Tratar

Os sintomas da hepatite A incluem febre, dores na região abdominal, vômitos e icterícia, que se caracteriza pelo amarelamento da pele e dos olhos. Esta infecção hepática, provocada pelo vírus da hepatite A (HAV), vem se tornando mais prevalente no Brasil, com um aumento significativo dos diagnósticos nos últimos anos. De 2000 a 2024, foram identificados mais de 170 mil casos da doença no país, com um crescimento de 54% entre 2023 e 2024, conforme dados do Ministério da Saúde.

O relatório epidemiológico aponta que a taxa de infecção é mais elevada entre adultos, particularmente na faixa etária de 20 a 39 anos, onde a maioria dos infectados é composta por homens. Em contrapartida, a incidência entre crianças diminuiu em 90% desde os anos 2000, resultado da implementação da vacina contra a hepatite A no sistema público de saúde. O aumento entre adultos pode estar relacionado à transmissão através de práticas sexuais, que antes eram consideradas raras.

A hepatologista Patrícia Almeida, do Hospital Israelita Albert Einstein, enfatiza que a hepatite A é uma infecção extremamente transmissível, mas pode ser prevenível por meio da vacinação, que é segura e gratuita para diversos segmentos da população. É crucial entender como a doença é transmitida, os sinais a serem observados e os procedimentos para tratamento, dado seu poder de contágio.

A infecção pelo hepatite A é transmitida principalmente através da via fecal-oral. Isso ocorre pelo consumo de alimentos contaminados, contato com superfícies sujas ou interações próximas com portadores do vírus. Embora não seja uma infecção considerada sexualmente transmissível no sentido tradicional, a hepatite A pode ser transmitida em relações sexuais orais ou anais.

Os sintomas de hepatite A variam conforme a faixa etária, sendo frequentemente leves ou assintomáticos em crianças, enquanto adultos e idosos podem apresentar um quadro clínico mais grave. Isso se deve a uma resposta imunológica mais intensa, que resulta em uma inflamação mais significativa no fígado. Pacientes com condições hepáticas preexistentes também têm maior risco de complicações.

Os sinais clínicos comuns incluem febre, dores abdominais, náuseas, vômitos, cansaço, icterícia, urina escura e fezes pálidas. O diagnóstico da hepatite A envolve a análise do histórico da doença e a realização de testes laboratoriais. O médico poderá verificar se a inflamação do fígado é infecciosa ou causada por outras razões, como o uso excessivo de medicamentos.

Caso o profissional suspeite de hepatite viral, realizará testes sorológicos para detectar anticorpos no sangue frente ao vírus da hepatite A. O exame que determina a infecção recente é a dosagem de anticorpos IgM anti-HAV. Exames adicionais, como análises de urina e ultrassonografia abdominal, podem ser requisitados para uma melhor avaliação do quadro clínico.

Atualmente, não existem medicamentos específicos para tratar a hepatite A. O tratamento é focado na mitigação dos sintomas, com recomendações de hidratação, repouso e uma dieta leve. A maioria dos infectados se recupera em um prazo que varia de duas a seis semanas, embora casos raros e severos possam ocorrer em indivíduos com problemas hepáticos anteriores.

A vacinação é a principal estratégia de prevenção contra a hepatite A. Desde 2014, a vacina faz parte do Programa Nacional de Imunizações, sendo disponibilizada sem custo nos serviços de saúde pública. A imunização ocorre em dose única para crianças a partir de 12 meses até 5 anos. Entre 2013 e 2023, a doença reduziu consideravelmente em menores de cinco anos, evidenciando o sucesso da campanha vacinal. Em consultórios privados, a vacina pode ser administrada em duas doses para crianças, com intervalo de seis meses.

A vacina também está disponível para adultos em grupos de risco, nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Entre estes grupos, estão os portadores de doenças hepáticas crônicas, indivíduos vivendo com HIV/aids, e aqueles submetidos a transplantes. Recentemente, o grupo de pessoas em profilaxia pré-exposição ao HIV também foi incluído nas recomendações de vacinação.

Junto à vacinação, é fundamental adotar boas práticas higienéticas como lavar as mãos frequentemente, higienizar alimentos, beber água tratada e evitar consumir alimentos em locais sem boas condições sanitárias.

A campanha Julho Amarelo, estabelecida em 2019, tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a prevenção e tratamento das hepatites virais. Essa ação, que ganhou relevância com o apoio de ONGs, coincide com o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, data escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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Tempo de Leitura do texto: 9.5 minutos de leitura

Publicado em: 2025-07-16 15:00:00

Autor: Veja Saúde

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