A Indonésia instaurou uma intensa e militarizada campanha contra a exploração ilegal das florestas, visando recuperar milhões de hectares. Entretanto, organizações da sociedade civil levantam preocupações sobre o impacto dessa ação, afirmando que ela está deslocando comunidades indígenas, enquanto favorece grandes corporações e perpetua desigualdades relacionadas à terra.
Em janeiro, o presidente Prabowo Subianto implementou um regulamento que criou uma força-tarefa dedicada a erradicar atividades ilegais em áreas florestais, abrangendo práticas como o cultivo e a extração de óleo de palma. Somente as plantações de dendê desautorizadas ocupam 3,37 milhões de hectares, uma área superior à da Bélgica, e representam uma fração significativa da produção de óleo de palma, em que a Indonésia se destaca como o principal produtor global.
Desde que a força-tarefa começou a atuar em fevereiro de 2025, foram recuperados 2 milhões de hectares, com quase metade dessa área sendo entregue à estatal PT Agrinas Palma Nusantara. Tal movimento pode resultar na formação de uma das maiores empresas de óleo de palma do mundo, levantando receios sobre a substituição de monopólios privados por uma gestão estatal.
Críticos apontam que a regulamentação em vigor não faz distinção entre as atividades em grande escala das empresas e as práticas das comunidades locais, incluindo os povos indígenas, que historicamente já enfrentam disputas territoriais geradas por definições unilaterais sobre as áreas florestais. Essa repressão não apenas deslocou essas comunidades, mas também transferiu terras para a Agrinas sem o devido processo legal, conforme análise da maior ONG ambiental da Indonésia, Walhi.
O impacto das infraestruturas ilegais construídas em direção a plantações de dendê ressalta a complexidade da situação, com preocupações contínuas sobre a exploração e os direitos territoriais em jogo.
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Tempo de Leitura do texto: 3.2 minutos de leitura
Publicado em: 2025-07-30 10:05:00
Autor: Conservation news
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