O tempo avança, mas Agenor de Miranda Araújo Neto, conhecido como Cazuza, permanece eternamente jovem aos olhos do público. Partindo precocemente aos 32 anos, sua imagem de roqueiro rebelde e exacerbado ficou gravada no cenário pop brasileiro.
Quarta-feira, 4 de abril de 2018, marca o que teria sido seu 60º aniversário. É complicado imaginá-lo como um homem idoso. Contudo, 28 anos após sua partida, sua música ainda ressoa, refletindo a habilidade inigualável de Cazuza como compositor. Sua obra permanece como uma fonte perene de inspiração.
Para comemorar essa data especial, um evento será realizado no Circo Voador, no Rio de Janeiro, onde Rogério Flasino e Wilson Sideral interpretarão suas canções, incluindo participações de Caetano Veloso, que destacou a poesia de Cazuza em 1983, e Bebel Gilberto, que colaborou em sucessos da década de 1980.
Em 27 de abril, outros artistas como Roberto Menescal e Leila Pinheiro levarão o repertório de Cazuza ao mundo da bossa nova em um novo espetáculo, que também resultará em um CD e DVD. Recordar os ídolos do passado é uma tradição no mundo do entretenimento.
Cazuza continua a viver através de sua vasta obra gravada, que o coloca entre os grandes compositores da música brasileira. Embora novos discos póstumos estejam a caminho, com colaborações de artistas contemporâneos, o legado deixado por ele em vida já é imensurável.
Filho de João Araújo, que foi um influente executivo da música brasileira, e de Lucinha Araújo, defensora da saúde e direitos de crianças afetadas pelo vírus HIV, Cazuza teve uma formação musical rica, imersa nas tradições da MPB. Sua ligação com artistas como Maysa revela como suas inspirações transitaram entre gerações.
Ao proferir a frase célebre “o banheiro é a igreja de todos os bêbados” na canção “Down em mim” (1982), ele evocou tanto os sentimentos de saudade dos antigos poetas da dor quanto referências a outros gêneros musicais, estabelecendo diálogos entre várias eras.
Com uma vida intensa, Cazuza destacou-se como um verdadeiro beatnik, explorando os bares do Baixo Leblon em busca de significado. Seus excessos nunca foram pela falta de vivência; ao contrário, misturou poesia à rebeldia, consciente da passagem inexorável do tempo. Utilizando lirismo e paixão, ele catapultou a dor amorosa, celebrou o prazer e abordou questões sociais, como sua infância e o abandono nas ruas, expressas na canção “Milagres” (1984).
Frente à finitude da vida, Cazuza desenvolveu um olhar crítico sobre o Brasil, refletido em suas composições, como no samba-rock “Brasil” (1988), e expôs a miséria humana no “Blues da piedade” (1988).
Em suma, embora seja um lugar-comum citar o título da canção de Frejat e Dulce Quental, O poeta está vivo, é indiscutível que Cazuza permanece vibrante e relevante, especialmente neste mês que celebraria seu 60º aniversário.
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Tempo de Leitura do texto: 7 minutos de leitura
Publicado em: 2018-04-01 09:00:00
Autor: g1
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