Após o devastador impacto do furacão Maria em 2017 na ilha de Dominica, os cientistas testemunharam uma cena desoladora: numerosos beija-flores mortos e em estado crítico estavam espalhados pela floresta. Dentre eles, destacavam-se os caribos de garganta roxa (Eulampis jugularis), os polinizadores essenciais das plantas de heliconia nativas. Essa única tempestade comprometeu uma relação evolutiva que se desenvolveu ao longo de milhões de anos, resultando na morte de três quartos da população de beija-flores e deixando suas flores sem os polinizadores principais. O ocorrido em Dominica ilustra uma questão que começa a ser desvendada pelos pesquisadores: o impacto dos desastres naturais na extinção de espécies vulneráveis.
Uma pesquisa revelou a existência de 2.001 espécies ameaçadas, incluindo 834 répteis, 617 anfíbios, 302 aves e 248 mamíferos, que têm pelo menos 25% de seus habitats em regiões sujeitas a furacões, terremotos, erupções vulcânicas e tsunamis. O furacão Maria, especificamente, em 2017, intensificou o risco para populações de animais já fragilizadas pelas atividades humanas, tornando-as ainda mais suscetíveis a fenômenos naturais adversos. A pesquisa, liderada pelo pós-doutorando Fernando Gonçalves da Universidade de Zurique, procurou criar um mapa global das espécies em risco de extinção em decorrência desses fenômenos naturais.
O estudo analisa dados históricos que cobrem cerca de 50 anos, identificando que os furacões são a maior ameaça, afetando 983 das espécies em alto risco. Em seguida, vêm os terremotos, que impactam 868 espécies; os tsunamis, com 272 espécies; e as erupções vulcânicas, que afetam 171. As áreas com as maiores concentrações de espécies ameaçadas estão localizadas ao longo do anel de fogo do Pacífico, um…
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Tempo de Leitura do texto: 3.5 minutos de leitura
Publicado em: 2025-07-25 15:13:00
Autor: Conservation news
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