quarta-feira, junho 3, 2026
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“MEC lança ‘compra escalonada’ de livros e prioriza português e matemática até 2026 por falta de verba”

Os alunos dos primeiros três anos do ensino fundamental da rede pública terão que aguardar até o início de 2026 para receber novos livros de português e matemática, devido à falta de recursos financeiros do Ministério da Educação (MEC) para aquisição de materiais didáticos.

Os estudantes de outras etapas da educação básica, incluindo o ensino médio, também enfrentarão atrasos na entrega de seus materiais. Nos anos finais do ensino fundamental, alguns alunos podem ter a reposição dos livros adiada.

Para o ensino médio, a atualização dos livros — que precisam ser ajustados conforme as novas diretrizes do currículo — será realizada em etapas, o que pode resultar em mais demoras na entrega.

A Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros) recebeu a notificação do MEC sobre a compra fragmentada dos materiais que serão utilizados em 2026.

Em resposta a questionamentos, o MEC, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), reconheceu que a situação orçamentária é complexa. A instituição delineou um plano de compras em etapas, tendo prioridade para Língua Portuguesa e Matemática, enquanto os livros de outras matérias serão adquiridos em momento posterior.

O FNDE também explicou que os materiais voltados para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) já estão assegurados, e que as estratégias para o ensino médio serão definidas em um segundo momento.

A prática prevista, segundo a Abrelivros, é a seguinte:

– Para os alunos do 1º ao 3º ano do fundamental: somente livros novos de português e matemática.

– Para os 4º e 5º anos do fundamental: novos livros de português e matemática, junto a materiais reutilizados para outras disciplinas.

– Nos 6º a 9º anos do fundamental: reposições limitadas para português e matemática, sem novos livros para outras matérias.

– No ensino médio: 60% das escolas e estudantes receberão novos livros no início do ano, enquanto os restantes 40% podem receber apenas em junho.

A Abrelivros expressa preocupações sobre a quantidade de livros solicitados, afirmando que 26 milhões de obras foram requisitadas apenas para português e matemática no ensino fundamental. Para o ensino médio, a previsão é de necessidade de cerca de 80 milhões de livros, cuja compra será fragmentada: 60% no início de 2026 e 40% possivelmente após o início das aulas, em maio ou junho.

O orçamento destinado à aquisição de materiais didáticos foi fixado em cerca de R$ 2 bilhões, mas para atender completamente a demanda, especialmente em relação à EJA e Programas Literários, seriam necessários pelo menos R$ 1 bilhão a mais.

Ângelo Xavier, presidente da Abrelivros, expressou a gravidade da situação, destacando que, embora crises anteriores já tenham sido enfrentadas, esta é a primeira vez que a compra de livros está sendo drasticamente afetada.

Com a verba escassa e o tempo restrito, Xavier alertou que poderíamos estar à beira de sérios atrasos na aquisição dos livros. O MEC tinha esperanças de que o orçamento fosse reajustado, mas essa expectativa não se concretizou, limitando os pedidos a apenas duas disciplinas.

Caso não ocorra um aumento orçamentário, a única solução possível para garantir a compra dos demais livros seria redirecionar verbas dentro do próprio ministério. Contudo, o tempo é um fator crítico, pois qualquer pedido deve ser feito até o final de agosto para que os livros sejam impressos a tempo e estejam disponíveis no início do ano letivo.

O presidente da Abrelivros acredita que, se a produção gráfica for otimizada, a entrega poderia ocorrer até fevereiro, mas a janela é apertada.

A Associação Brasileira dos Autores de Livros Educativos (ABRALE) também manifestou sua inquietação com a decisão do MEC, considerando-a um retrocesso na política do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e um golpe à educação básica.

Os materiais atualmente disponíveis são cruciais para o planejamento escolar e para proporcionar uma educação de qualidade, sendo especialmente importantes para educadores nos Anos Iniciais do Fundamental.

A ABRALE ainda questiona o sinal que tal decisão pode enviar a alunos e pais, implicando uma possível desvalorização de disciplinas como Arte, História, Geografia e Ciências.

Por fim, o FNDE ressaltou que, reconhecendo os desafios orçamentários, optou pela compra escalonada para o ensino fundamental, iniciando pelas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, com previsões de atender a outras áreas posteriormente. As licitações para a EJA estão em fase final e as definições para o ensino médio ocorrerão em breve.

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Tempo de Leitura do texto: 7.3 minutos de leitura

Publicado em: 2025-07-23 07:01:00

Autor: g1 > Educação

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