No mês de março deste ano, o jornalista investigativo holandês Olivier Van Beemen lançou uma pesquisa abrangente sobre as práticas consideradas neocoloniais em parques africanos administrados por organizações não governamentais. Esta obra, fruto de quatro anos de intenso trabalho, foi recentemente reconhecida com o Brusseprijs 2025, um prêmio voltado a publicações jornalísticas na língua holandesa.
O estudo de Van Beemen foca na African Parks, uma entidade baseada na África do Sul que gerencia 23 parques nacionais em 13 nações da África Subsaariana. Seu propósito é unir o desenvolvimento turístico à conservação ambiental em áreas ricas em biodiversidade. De acordo com a organização, a gestão e reabilitação dessas regiões ocorre em parceria com comunidades locais e governos, a partir de colaborações público-privadas. O apoio provém não apenas de governos ocidentais, mas também de filantropos e figuras conhecidas como o príncipe Harry e o diretor de fotografia Bill Pope, famoso por seu trabalho em filmes como The Matrix e The Jungle Book.
Entretanto, o modelo de gestão implementado pela African Parks tem gerado controvérsias e críticas. Van Beemen aponta que alguns parques estão envolvidos em alegações de despejos forçados e violações de direitos humanos, além de militarização excessiva. Em um extenso relato de quase 300 páginas, ele argumenta que existem práticas recorrentes que se assemelham ao neocolonialismo.
A African Parks refutou as acusações, afirmando em um comunicado à MongoBay que a obra contém “centenas de erros factuais e um número igual de declarações profundamente enganosas”. Contudo, a questão persiste: será que a crítica se restringe somente à gestão da African Parks? Ou o problema reside em um modelo mais abrangente que também é aplicado por outras ONGs? Ou seria a raiz da questão outra?
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Tempo de Leitura do texto: 4.0 minutos de leitura
Publicado em: 2025-07-16 17:03:00
Autor: Conservation news
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