Uma pesquisa conduzida na Amazônia brasileira revelou que o patrulhamento realizado por voluntários da comunidade em duas reservas naturais resultou em uma diminuição impressionante de 80% nos delitos ambientais entre 2003 e 2013. Contrariamente, o mesmo período não apresentou uma redução significativa nas infrações ambientais observadas em ações do governo fora das áreas protegidas, sugerindo que as iniciativas comunitárias mostraram-se mais eficientes.
Os cientistas envolvidos no estudo analisaram informações coletadas de 2003 a 2013 por agentes comunitários de patrulha em 12 unidades territoriais situadas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá e Amanã, localizadas no estado do Amazonas. As informações foram obtidas através do programa de Voluntários em Ação Ambiental (VEA), que teve início em 1995 e envolveu as comunidades locais para monitorar e proteger seus próprios territórios, complementando a supervisão federal.
Durante os anos sob análise, os moradores realizaram 19.957 patrulhas, registrando delitos em 1.188 delas. No total, os integrantes do programa identificaram 1.260 crimes ambientais, com a maioria sendo relacionada a irregularidades em pesca e caça. Para estabelecer um comparativo, os pesquisadores também examinaram dados sobre fiscalizações governamentais de crimes ambientais entre 2002 e 2012 em áreas fora das reservas. Nesse intervalo, as autoridades realizaram 69 operações, resultando na detecção de 917 delitos em total.
O estudo constatou que a década de patrulhamento comunitário coincidiu com uma redução de 80% nos crimes ambientais reportados em 11 das 12 áreas investigadas. Em contraste, as fiscalizações governamentais não demonstraram uma relação clara com a diminuição de infrações ao longo do tempo. Essa discrepância entre os dois métodos destaca a relevância de promover ações comunitárias na preservação ambiental, mesmo nos locais que não estão sob a proteção formal, afirmaram os pesquisadores.
Esta pesquisa foi originalmente relatada na MonGabay.
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Publicado em: 2025-07-10 04:17:00
Autor: Conservation news
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