quarta-feira, junho 3, 2026
HomeBrasil AgoraRefugiados Venezuelanos Acampam na Fronteira do Brasil: 'Aqui, pelo Menos Há Comida'

Refugiados Venezuelanos Acampam na Fronteira do Brasil: ‘Aqui, pelo Menos Há Comida’

Em Pacaraima, localizada no extremo Norte de Roraima, diversos venezuelanos estão se abrigando em acampamentos improvisados. Um desses localiza-se próximo à BR-174, rodovia que conecta Brasil e Venezuela, onde pelo menos trinta famílias encontraram refúgio.

De acordo com a administração municipal, cerca de 1.500 imigrantes estão vivendo nas ruas, representando aproximadamente 22% da população local de aproximadamente 15 mil pessoas. Existe um abrigo público na cidade, porém este é destinado exclusivamente a imigrantes indígenas.

A Força Tarefa Logística Humanitária, organizada pelo Governo Federal para abordar a questão da migração, anunciou a construção de um novo abrigo voltado para não-indígenas na fronteira. Nomeado de BV8, esse espaço terá capacidade para acolher até 500 indivíduos.

No acampamento à beira da estrada, muitas famílias residem em barracas de camping e estruturas feitas de lonas, madeira e até papelão. Essas construções estão cobertas com plásticos a fim de se protegerem da chuva, que é frequente neste período. As temperaturas podem cair para 16º C durante a madrugada.

Angélia Aguilera, uma jovem de 18 anos, chegou ao Brasil há um mês com seu marido e seu filho Elieser, que tem um ano. Desde então, têm enfrentado a vida nas ruas de Pacaraima.

“Aqui nas ruas é muito frio. Nunca pensei que seria capaz de passar por isso”, relatou Angélia.

A família partiu de Maturin, cidade distante 785 km de Pacaraima, compartilhando uma história que ecoa entre milhares de venezuelanos que buscam abrigo no Brasil.

“Decidi vir porque, na Venezuela, não há trabalho, comida nem medicamentos. Não existe nada”, afirmou ela, acrescentando que na terra natal se alimentavam basicamente de mandioca e sardinha.

O esposo dela costumava trabalhar para uma empresa multinacional, mas, devido à inflação diária de 2,8%, seus rendimentos não eram suficientes para custear as necessidades da família. Há dois meses, ele abandonou o emprego e decidiram tentar a vida no Brasil em busca de novas oportunidades.

“A vida aqui é bem complicada, pois não conseguimos ganhar dinheiro. Meu marido vende café na rua e mal dá para comer. Mas conseguimos sobreviver, pelo menos temos alimento”, disse Angélia.

O desejo da família é chegar até Manaus.

Da mesma forma, Luiz Sereño, de 20 anos, também deixou a Venezuela por causa da crise política e econômica. Em sua barraca improvisada, ele colocou duas bandeiras do Brasil, que considera uma forma de homenagem ao país que o acolheu.

“A bandeira simboliza a união. O Brasil nos recebeu como irmãos e sou muito grato”, declarou.

No município de Pacaraima, Luiz ganha a vida lavando carros e envia o que consegue para a filha de três anos que ficou na Venezuela.

“O meu país tem muitos recursos naturais, mas estamos exaustos de passar fome. Tenho uma filha e doía muito vê-la se alimentando apenas de manga”, comentou.

Nas ruas, os imigrantes utilizam latas de tinta para cozinhar e, em muitos casos, dependem da generosidade de moradores locais para se alimentar.

Além da escassez de alimentos, os que não dispõem de R$ 1 a R$ 4 para acessar banheiros em estabelecimentos ficam sem opções para se higienizar, precisando recorrer a áreas de mata para atender suas necessidades.

Entre janeiro e junho deste ano, mais de 16 mil venezuelanos solicitaram refúgio em Roraima, um aumento de 20% comparado ao total de 2017, que contabilizou cerca de 13,5 mil pedidos.

Nos últimos 18 meses, 128 mil venezuelanos entraram no Brasil pela fronteira de Pacaraima; 31,5 mil retornaram à Venezuela e outros 37,4 mil deixaram o país, seja por avião ou através de outras fronteiras terrestres.

O Exército Brasileiro estimou que, nos últimos cinco meses, a média diária de entrada de venezuelanos em Roraima foi de 416 pessoas.

Ainda não existem dados exatos sobre o número de venezuelanos vivendo em Roraima, mas uma pesquisa da prefeitura de Boa Vista indicou que, somente na capital, há aproximadamente 25 mil imigrantes, representando 7,5% da população total de 332 mil. Dentre esses, mais de 65% estão sem emprego.

Atualmente, o estado abriga dez abrigos públicos que podem acomodar cerca de 4,6 mil pessoas, sendo que seis deles foram abertos apenas neste ano. Entretanto, ainda há muitos venezuelanos em situação de vulnerabilidade em 10 dos 15 municípios do estado.

Além do mais, 820 imigrantes já foram encaminhados em voos da Força Aérea Brasileira para cidades como São Paulo, Manaus, Cuiabá, Brasília, Rio de Janeiro, Igarassu (PE) e Conde (PB) no processo de interiorização, que busca redistribuir os recém-chegados entre outros estados do país.

SOBRE O PRO BONO FEED:
Nós formamos um ambiente de notícias que gera impacto social, dedicado à transformação de vidas e comunidades. Nossa equipe de redação se empenha na apuração, investigação e seleção criteriosa de fatos e dados que favoreçam o desenvolvimento humano e coletivo. Trabalhamos em conjunto com uma rede de colaboradores e utilizamos fontes públicas sérias, que promovem o compartilhamento de conhecimento e são firmemente comprometidas com a utilidade pública e o bem-estar social.

CONTEÚDO REFERENCIADO:

Tempo de Leitura do texto: 8.8 minutos de leitura

Publicado em: 2018-07-26 11:15:00

Autor: g1

Sobre as fontes: Este texto foi cuidadosamente adaptado a partir de informações provenientes de fontes confiáveis, parceiros e bases de dados públicos e internacionais. Estamos dedicados a promover a divulgação responsável de conteúdos que contribuam para o bem-estar da sociedade. Para mais informações sobre esta matéria acesse g1 . Aproveite e acesse outras histórias e conteúdos inspiradores na página oficial.

Se fez sentido pra você, envie para mais alguém. Informação transforma.

VEJA TAMBÉM
- AD -

GERAIS

FONTES

Pro Bono Feed é um portal de notícias de impacto social, comprometido com a transformação de vidas e territórios. Nossa redação realiza apuração, investigação e curadoria de fatos e informações que contribuam para o desenvolvimento humano e coletivo. Atuamos em parceria com uma rede de colaboradores e utilizamos fontes públicas confiáveis, abertas ao compartilhamento de conhecimento. Leia sobre as referências, parcerias e política de privacidade.