sexta-feira, setembro 11, 2026
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De Avessa à Paixão: Medalhista de Ouro da OBMEP Transforma Luto em Amor pela Matemática

Na última segunda-feira (30), uma estudante de apenas 15 anos foi agraciada com uma medalha de ouro na 19ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).

Daniella Machado de Almeida já havia participado da competição em outras duas ocasiões, obtendo medalhas de bronze por sua performance.

A jovem carioca revelou que a participação na olimpíada despertou seu interesse por matemática, levando-a a planejar seus estudos futuros nessa área.

Quando Daniella tomou parte pela primeira vez da OBMEP em 2022, ela não esperava que a matemática se tornaria uma paixão. Entretanto, na última segunda, ela foi uma das 683 garotas e garotos de todo o Brasil a receber a cobiçada medalha de ouro.

Essa olimpíada, a maior do gênero no Brasil, teve sua criação pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e conta com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC). Com cerca de 18 milhões de inscritos anualmente, a OBMEP tem como meta estimular a aprendizagem matemática desde o 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio, além de identificar novos talentos.

Hoje, aos 15 anos, Daniella reflete sobre as três medalhas recebidas e as oportunidades que surgiram, além de sonhar com um futuro envolto pela matemática.

No entanto, o caminho até aqui não foi simples; sua relação com a matemática já foi marcada por desinteresse e obrigações acadêmicas.

“No 7º ano, eu não encontrava desafios interessantes como os que vi na OBMEP. Era apenas mais um assunto que eu estudava para conseguir uma nota, mas não tinha apreço”, recorda Daniella, a medalhista da OBMEP em 2022 e 2023.

Apesar dos cartazes da olimpíada estarem expostos na escola, foi somente no dia da prova que ela se deu conta de que participaria. Sem preparação prévia, fez a prova e ficou maravilhada ao saber que conseguiu avançar para a fase seguinte.

Essa notícia chegou em um momento crítico de sua vida, já que seu pai havia falecido de câncer apenas um mês antes de a primeira fase da OBMEP ocorrer. “A prova me ajudou a lidar com a perda e permitiu que minha família entrasse em processo de luto”, ela compartilha.

Após ser aprovada, Daniella dedicou-se a se preparar melhor para a nova fase; assistiu a vídeos, revisou provas anteriores e fez o melhor que pôde.

Esse esforço resultou em uma medalha de bronze nacional e uma vaga no Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC) que a olimpíada oferece.

“Ganhar a medalha em 2022 foi fantástico. Iniciei o PIC em 2023, onde conheci pessoas igualmente apaixonadas pela matemática”, relata Daniella.

Entre as várias vantagens advindas do programa, o auxílio financeiro de R$ 300 mensais permitiu que a jovem ajudasse sua mãe nas despesas e desenvolvesse habilidades de independência.

O mais valioso desse caminho, segundo Daniella, foi o redescobrimento da matemática, que agora considera fascinante.

“Na OBMEP, as perguntas instigam a curiosidade. É necessário raciocínio lógico, compreensão da situação e comecei a me interessar pelo conhecimento teórico que sustenta cada questão”, diz a medalhista.

Enfrentou sua segunda participação na olimpíada com essa nova perspectiva e mais uma vez levou para casa uma medalha de bronze.

“Na segunda edição, os desafios foram maiores, pois mudei para o Rio de Janeiro em 2022. Estava me adaptando à nova escola e o nível da prova também se alterou. Assim, minha família ficou bastante satisfeita quando consegui avançar para a fase seguinte e conquistar a medalha”, comenta.

Em 2024, ao competir pela terceira vez, Daniella destacou-se entre os melhores e garantiu uma medalha de ouro.

Após essas três experiências, e ao conhecer colegas igualmente entusiasmados pela matemática, a jovem decidiu continuar aperfeiçoando seu amor pela disciplina.

Dedicou-se a pesquisar e participar do seletivo do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET) Celso Suckow da Fonseca, no Rio de Janeiro. Com sucesso, Daniella conquistou uma vaga e atualmente estuda o 1º ano do ensino médio junto com um curso técnico em informática.

No dia 30, Daniella foi à cerimônia de entrega de prêmios da 19ª OBMEP, realizada no Rio de Janeiro, onde recebeu sua tão esperada medalha de ouro por sua performance em 2024.

Com orgulho de todas as suas conquistas, ela agora pensa no futuro com planos distintos daqueles de sua época de 7º ano, quando não apreciava a matemática.

“Vejo-me ligada à matemática e às exatas. Após concluir o ensino médio, pretendo seguir um curso de Engenharia, Ciências da Computação ou até mesmo Matemática”, confessa Daniella.

Além disso, ela tem o desejo de inspirar outros estudantes:

“Quero que mais pessoas se familiarizem com a matemática que eu conheci, mostrando que não é um bicho-papão. As teorias por trás das fórmulas são extremamente cativantes e desafiadoras, portanto, espero que mais indivíduos venham a perceber isso”, conclui.

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