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Sabores do Passado: Reviva 4.000 Anos de Gastronomia da Babilônia com Receitas Antigas

Quando perguntado sobre seu prato favorito, escolher uma opção exótica pode ser a melhor saída. O tempo em que a apreciação de cozinhas como a italiana, mexicana ou chinesa era considerada ousada já ficou para trás. Até mesmo aventurar-se por pratos menos conhecidos de restaurantes peruanos, etíopes ou laocianos pode não causar tanta impressão nos críticos gastronômicos contemporâneos. Uma proposta interessante é explorar não apenas a diversidade regional, mas também as tradições culinárias do passado, resgatando receitas de séculos atrás. Essa jornada pelo tempo culinário se tornou mais acessível graças a pesquisadores associados a universidades de prestígio, como Harvard e Yale, incluindo nomes como Gojko Barjamovic e Nawal Nasrallah.

Recentemente, esse grupo interdisciplinar participou de uma discussão na Lapham’s Quarterly sobre como preparar e degustar receitas antigas da Mesopotâmia, que estão registradas nas chamadas “Tabelas Culinárias de Yale”. Datadas entre 1730 a.C. e o século VI ou VII a.C., essas inscrições cuneiformes fornecem orientações gerais e fragmentadas sobre pratos que foram populares, todos relativamente simples de serem feitos.

Um exemplo é a sopa vegetariana chamada pašrūtum, que apresenta sabores suaves, como coentro, alho, alho-poró e um pouco de massa azeda. Outro prato, o estufado puhādi, que utiliza carne de cordeiro e leite, é descrito como “delicioso, especialmente com o toque picante de alho-poró e alho triturado”.

Além disso, as Tabelas Culinárias de Yale mostram que os babilônios também desfrutavam de pratos estrangeiros. Aproximadamente quatro mil anos atrás, um prato de elamūtum, um “caldo elamita” originário da região que hoje é parte do Irã, poderia ser considerado exótico. Essa receita, que exige o uso de leite e até mesmo sangue de ovelha, é descrita como resultando em uma sopa rica e ligeiramente ácida. Outro exemplo é o estufado de carne chamado tuh’u, que ainda possui uma versão consumida no Iraque contemporâneo, embora na receita moderna utilize nabo branco em vez da beterraba vermelha mencionada nos escritos antigos. É intrigante notar que antes da expulsão, os judeus de Bagdá utilizavam beterraba vermelha, levantando a possibilidade de uma conexão com o borscht europeu.

Os esforços para reconstruir essas receitas — que frequentemente carecem de medidas exatas ou instruções detalhadas — têm envolvido uma dose considerável de pesquisa e suposições fundamentadas. Contudo, não existem outros textos que possibilitem um entendimento tão próximo da culinária mesopotâmica antiga em sua casa. Para quem deseja observar como essas receitas podem ganhar vida, Max Miller, em seu canal do YouTube chamado Tasting History, apresenta o preparo de pratos que remontam a civilizações antigas. Apesar de haver mudanças que podem ocorrer na execução, um desvio das tradições culinárias, aparentemente, não acarretaria consequências, pois o Código de Hamurabi não aborda sanções para cozinheiros que alteram ingredientes.

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Tempo de Leitura do texto: 2.6 minutos de leitura

Publicado em: 2025-07-11 09:00:00

Autor: Open Culture

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