A trajetória da medicina sempre foi marcada por remédios questionáveis. Há casos que ultrapassam essa incerteza, como o uso de antimônio, um metal extremamente tóxico. Embora atualmente não seja muito lembrado na tabela periódica, o antimônio possui uma longa história cultural. O seu primeiro uso documentado remonta ao antigo Egito, onde a stibnite, uma de suas formas minerais, era moída para criar o kohl, um cosmético de coloração escura que acreditava-se ter o poder de afastar espíritos malignos.
Na Grécia Antiga, o foco estava menos em suas propriedades espirituais e mais em suas implicações para a saúde humana. Apesar do conhecimento da toxicidade do antimônio, os gregos exploraram suas potenciais aplicações medicinais ao longo do tempo.
Os romanos também se utilizavam do antimônio, não só em processos metalúrgicos, mas também em investigações sobre suas qualidades curativas. Durante a Idade Média, em um período repleto de alquimia, o antimônio despertou curiosidade de forma ainda mais intensa. No final do século XVII, era comum o consumo de vinho em copos de antimônio, conforme detalhado em vídeo de um museu.
“O objetivo era fazer com que a pessoa vomitasse, tivesse diarreia e suasse bastante”, explica Angus Patterson, curador sênior do acervo de metal do museu. A ideia era que, por meio desse processo, se pudesse realinhar os “humores” que a medicina medieval acreditava compor o corpo. Copos sofisticados, como um que pertenceu a um nobre, não eram os únicos utensílios de antimônio utilizados dessa maneira: o metal também era moldado em “pílulas perpétuas”, que deveriam ser engolidas, retiradas do excremento e ingeridas novamente quando necessário — isso acontecia em algumas famílias por várias gerações. “Não estou certo se gostaria de engolir uma pílula que passou pelo meu avô”, acrescenta Patterson, “mas, em 1750, as necessidades se falavam mais alto em caso de dor de estômago.”
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Tempo de Leitura do texto: 5.5 minutos de leitura
Publicado em: 2025-08-05 09:00:00
Autor: Open Culture
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