Quando falamos inglês, muitas vezes é possível considerar que nos expressamos na língua de figuras como Samuel Johnson, responsável pelo primeiro dicionário da língua, ou em termos que remetem a Shakespeare, que introduziu uma quantidade impressionante de vocabulário. Outra abordagem seria afirmar que nossa comunicação é influenciada pela Bíblia King James, cuja ampla distribuição ajudou a uniformizar o idioma, eliminando várias das inúmeras variações regionais existentes no início do século XVII. Contudo, é fundamental reconhecer que, na prática, ao falar inglês, frequentemente estamos utilizando elementos do francês.
O evento crucial que levou essa transformação ocorreu em 1066, quando os normandos conquistaram o trono inglês, conforme é explicado pelo criador de conteúdo Robwords em um vídeo. Com a ascensão de Guilherme, o Conquistador, o francês normando se tornou a língua da elite britânica.
Após essa mudança, títulos nobres como earls, thanes e athelings passaram a ser conhecidos como barões, duques e príncipes. Para se adequar a esse novo contexto, os anglos-saxões dominados precisaram assimilá-los ao francês, resultando em uma rica integração de termos relacionados ao poder, à justiça, à arte, ao governo, à lei e à cultura.
Essa profunda influência francesa deu origem ao que hoje chamamos de Inglês Médio, distinto do Antigo Inglês falado anteriormente. Como ressalta Robwords, cerca de 85% do vocabulário do Antigo Inglês não é mais utilizado, mas ainda usamos formas desse antigo idioma, principalmente em plurais que parecem irregulares, como “mice”, “oxen” e “wolves”. Dias da semana, como terça, quarta, quinta e sexta, referem-se a deidades pré-cristãs anglos-saxônicas. Mesmo no inglês moderno, que se adapta rapidamente a gírias e influência digital, ecos da ancestralidade linguística chamada Proto-Indo-Europeu ainda ressoam. Essa complexidade é uma das razões pelas quais, apesar de sua ampla difusão, aprender inglês pode ser uma tarefa desafiadora: ao falar, estamos na verdade dialogando em várias línguas simultaneamente.
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Tempo de Leitura do texto: 5.5 minutos de leitura
Publicado em: 2025-07-15 09:00:00
Autor: Open Culture
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