“Faça o que quiser”: esse lema, embora simples, atraiu a atenção de muitos. Essa foi a realidade vivida por Aleister Crowley, um ocultista do início do século XX, conhecido não apenas por suas práticas religiosas incomuns, mas também por sua habilidade em formar seitas ao seu redor. Em seu texto fundamental, *Liber AL vel Legis*, que é o núcleo de sua filosofia denominada Thelema, ele encorajou seus seguidores a agirem segundo seus próprios desejos, idealmente através de rituais de magia negra.
A trajetória de Crowley, que o levou a ser chamado de “o homem mais perverso do mundo”, é fascinante. Após crescer sob a rígida influência de seu pai, um pregador fundamentalista que faleceu quando Crowley tinha apenas onze anos, ele foi enviado para diversos internatos, onde suas travessuras começaram. Ele chegou a Cambridge para estudar literatura inglesa, onde se apaixonou pela poesia romântica e começou a explorar o oculto. Embora não tenha concluído seu curso, sua herança considerável lhe proporcionou a liberdade de viajar pelo mundo, escalar montanhas e se aventurar nas artes escuras, além de experimentar drogas e ter relacionamentos extraconjugais.
Durante suas viagens, Crowley encontrou diversas religiões ancestrais, que adaptou conforme suas necessidades. No entanto, as divindades do Egito Antigo o impactaram profundamente, em particular Hoor-paar-kraat, ou Harpocrates em grego. Ele alegou ter sido contatado pela voz de Aiwass, mensageiro de Hoor-paar-kraat, e a partir desse contato surgiu *Liber AL vel Legis*. Apresentando-se como um profeta egípcio, ele defendeu que a humanidade deveria avançar para uma era pós-cristã, dizendo: “Faça o que desejar, sem se importar com a opinião popular ou a moral convencional”. Essa filosofia aparentemente funcionou bem para Crowley, embora a prática de um ocultista tão controverso não fosse para todos.
No entanto, até o homem considerado o mais maligno do mundo não conseguiu sustentar esse estilo de vida para sempre: “Eventualmente, todas as viagens, as drogas e o libertinismo cobraram seu preço”. Sua herança esgotou-se e suas dependências se intensificaram. Apesar disso, ele perseverou em sua crença na Thelema e chegou a fundar uma comuna na Sicília. Contudo, o estilo de vida sem responsabilidades que a religião promovia logo levou à degradação da comunidade. Mesmo assim, algumas décadas após sua morte em 1947, a imagem de Crowley ressurgiu, desta vez na capa do álbum *Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band*. Sua figura se tornou uma referência na música pop, mencionada não somente pelos Beatles, mas também por David Bowie, Iron Maiden e o falecido Ozzy Osbourne. Aleister Crowley poderia receber diversos rótulos: “Gênio? Louco? Visionário? Impostor? Livre pensador? Líder de culto?” Ele merece todos esses epitetos, além de ser considerado um precursor do rock star.
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Tempo de Leitura do texto: 8.7 minutos de leitura
Publicado em: 2025-07-30 09:00:00
Autor: Open Culture
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