O álbum “Kind of Blue” de Miles Davis deixou uma marca indelével no jazz e na música como um todo. Sua importância é inegável e é um tema que merece atenção especial. Ao visualizar a partitura animada da faixa inicial, “So What”, não posso evitar associá-la aos quadrinhos de Charles Schulz, especialmente às composições de Vince Guaraldi. Não quero desmerecer o trabalho de Miles; seu jazz modal é vibrante e tão cativante de ouvir quanto de observar, com seus arpejos que se elevam e descem. Dan Cohen, através de seu canal Animated Sheet Music, compartilha essa experiência, pedindo desculpas a Jimmy Cobb pela omissão da notação de bateria.
Além disso, o canal de Cohen também apresenta animações das músicas de Charlie Parker. Apesar de não ter gerido adequadamente sua herança, Parker deixou seu legado musical, incluindo a composição “Confirmation”, sem recuperar os royalties correspondentes.
Independente disso, todo mundo reconhece que essa melodia é de Bird. A animação torna evidente que Parker segue um estilo muito distinto do cool jazz que caracteriza Miles, mergulhando em complexas frases melódicas ao invés de simples acordes.
Por outro lado, a impressionante “Giant Steps” de John Coltrane destaca-se com suas explosões rápidas de notas, cortadas por interlúdios de semínimas. Essa obra-prima de 1960 é um exemplo do que Ira Gitler descreveu, em um artigo da Downbeat de 1958, como “folhas de som”. Gitler imaginou uma cena de “tecidos se desdobrando”, mas poderia igualmente ter feito uma comparação com a intensa e densa onda melódica que caracteriza Coltrane.
Para aqueles interessados, o canal Animated Sheet Music apresenta mais duas composições de Parker, “Au Privave” e “Bloomdido”. Também vale a pena explorar outras obras-primas do jazz, que nos conectam a momentos ricos da história musical.
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