quarta-feira, junho 3, 2026
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Joris Hoefnagel: O Artista Que Transformou Insetos em Obra-Prima e Revolucionou a Ciência no Século XVI

A linguagem inglesa, em sua maioria, utiliza termos que podem soar desagradáveis ou até mesmo ameaçadores ao nos referirmos a insetos, especialmente para aqueles que não têm uma afinidade com a entomologia. Em contraste, o holandês apresenta uma alternativa mais gentil: “beestjes”, termo que carinhosamente designa essas “pequenas bestas”, que conquistaram a atenção de artistas e cientistas a partir do final do século XVI. Naquele período, as fronteiras entre arte e ciência frequentemente se entrelaçavam, um fenômeno exemplificado na obra de Joris Hoefnagel, um artista flamengo cujas ilustrações de beestjes harmonizam beleza e precisão de maneira inédita.

Atualmente, as criações de Hoefnagel podem ser apreciadas de perto na exposição intitulada Little Beasts: Art, Wonder, and the Natural World, em exibição na National Gallery of Art, em Washington, DC, até o início de novembro. Para aqueles que não puderem visitar o museu, o site da mostra exibe o esplendor do trabalho de Hoefnagel, publicado em The Four Elements, uma coletânea de aproximadamente 300 aquarelas organizadas em quatro volumes nos anos 1570 e 1580, cada um nomeado em referência a um elemento: Aqua para animais aquáticos; Terra para animais terrestres; Aier para aves e plantas; e Ignis, que representa “fogo”, destinado aos insetos.

“Não sabemos ao certo o motivo pelo qual Hoefnagel incluiu insetos no volume do fogo”, observa Evan “Nerdwriter” Puschak no vídeo recente. “Talvez porque tanto o fogo quanto os insetos simbolizem transformação.”

Puschak ainda destaca: “O que é inegável é que essas miniaturas de insetos estão magnificamente detalhadas.” Hoefnagel superou os trabalhos de seu antecessor Albrecht Dürer, cujas habilidades de representação eram quase sobre-humanas. Entre suas obras, a representação de um besouro-stag é especialmente notável. Acompanhada da inscrição em latim “SCARABEI UMBRA”, que significa “a sombra do besouro-stag”, provavelmente alude ao realismo sem precedentes da sombra do inseto que Hoefnagel criou. Naquela época, essa expressão também era utilizada para referir-se a ameaças ocas. Apesar da aparência intimidadora do besouro-stag, Hoefnagel tinha plena consciência de que, na verdade, o inseto era dócil — apenas mais um “beastie” em sua essência.

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