Ao contemplar as obras de Vincent van Gogh, é provável que a ideia de possuir uma delas um dia tenha passado pela sua mente. Se essa for a sua intenção, saiba que uma fila de bilionários está disposta a competir, e mesmo eles podem não ter a chance de ver uma peça ser leiloada. Essa realidade provavelmente surpreenderia van Gogh, que faleceu na pobreza e quase sem reconhecimento após uma trajetória artística que durou somente dez anos. Durante esse breve período, apenas uma pintura foi vendida, conforme algumas definições de “venda.” Embora tenha trocado suas obras por comida e materiais de arte, e recebido comissões, incluindo uma de seu tio, que atuava como marchand, as vendas para pessoas fora da família, em exposições oficiais, resumem-se a uma única: La vigne rouge.
Intitulada em inglês The Red Vineyards near Arles, ou mais simplesmente The Red Vineyard, a obra retrata uma paisagem que van Gogh encontrou durante uma caminhada ao lado de Paul Gauguin, no dia 28 de outubro de 1888, cinco dias após a chegada de seu amigo a Arles. Martin Bailey, do The Art Newspaper, observa que a colheita das uvas costuma ocorrer em setembro na Provence, mas parece que naquele ano ela foi adiada.
Ao relatar a cena a seu irmão Theo, Vincent descreveu: “Um vinhedo vermelho, totalmente vermelho como vinho tinto. Ao longe, tornou-se amarelo, e depois um céu verde com um sol, campos violetas e um amarelo brilhante aqui e ali, após a chuva, onde o sol poente se refletia.” Contudo, ele não decidiu pintar a cena naquele momento; em vez disso, se lembrou dela e criou a obra no mês seguinte.
Theo teve a oportunidade de exibir a pintura em seu apartamento em Paris até que Vincent pediu para que o quadro fosse devolvido para uma mostra anual em Bruxelas organizada pelo grupo Les Vingt, no início de 1890. A compradora de The Red Vineyards foi Anna Boch, irmã de Eugène Boch, colega de van Gogh no impressionismo e também seu retratado. Apesar de não serem parentes, Anna pagou o preço cheio pela obra, e mais tarde, van Gogh sentiu um certo arrependimento por não ter oferecido um “preço de amigo.” Seja qual for o valor pago, foi, sem dúvida, uma pechincha em comparação à sua avaliação atual, após ter sido adquirida por um colecionador russo, confiscada durante um período revolucionário e mantida em segredo sob o regime soviético, até ser exibida com orgulho no Museu Estatal de Belas Artes Pushkin, em Moscou — que, devido à fragilidade da pintura, não a empresta para exposições.
Se fez sentido pra você, envie para mais alguém. Informação transforma.
Este conteúdo faz parte do PRO BONO FEED, a agência de notícias do Instituto Pro Bono Brasil.


