quinta-feira, setembro 10, 2026
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Somente 15% das Escolas Públicas no Brasil Contam com Psicólogos: Um Alerta Necessário

A saúde mental no contexto escolar ganhou destaque, mas, segundo dados do Censo da Educação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas 15,7% das instituições de ensino públicas no Brasil contam com psicólogos.

Há um longo caminho a ser percorrido para que a Lei nº 13.935/2019 — que garante a presença de psicólogos e assistentes sociais nas escolas da educação básica — seja plenamente implementada. Caso o ritmo atual de contratações se mantenha, levará cerca de 33 anos para que todas as escolas sejam atendidas.

Desde a sanção da legislação, em dezembro de 2019, a evolução foi gradual, com um aumento de apenas 2,47 pontos percentuais anualmente. Para ilustrar, em 2020, a presença de psicólogos nas escolas era de apenas 5,8%.

Renata Grinfeld, coordenadora pedagógica da Roda Educativa, uma organização dedicada a aprimorar práticas educativas na rede pública, ressalta que as instituições de ensino devem servir como um refúgio para o respeito aos direitos dos estudantes.

“Essa situação impacta diversos aspectos do desenvolvimento, sejam eles emocionais, físicos ou culturais. Quando uma criança ou adolescente não é ouvido na escola, pode buscar essa escuta em outros contextos, que nem sempre são saudáveis, como certas redes sociais”, comenta Grinfeld.

De acordo com sua visão, a prática de escutar os alunos precisa se integrar ao cotidiano escolar.

Os desafios continuam, especialmente no que diz respeito a orçamentos e a necessidade de uma transformação cultural na sociedade. “É fundamental mudar essa mentalidade de que é melhor não falar sobre os problemas”, adiciona.

Em resposta, o Ministério da Educação (MEC) afirmou que monitora e apoia a expansão dos serviços de psicologia e serviço social nas redes de ensino.

O ministério mencionou o Programa Saúde na Escola e a formação de um Grupo de Trabalho destinado a coletar informações e elaborar recomendações para aprimorar a implementação da Lei nº 13.935/2019.

A situação nas escolas estaduais revela uma problemática ainda mais acentuada. A disparidade entre as diferentes regiões é notável, como demonstram os dados.

No Rio Grande do Sul, a realidade é alarmante, com apenas uma em cada mil escolas apresentando psicólogos para os alunos, posicionando o estado como o de menor quantidade de profissionais do Brasil. A GloboNews tentou contato com a Secretaria da Educação do estado, mas não obteve resposta.

O Paraná, em um quadro similar, conta com apenas 0,3% das escolas estaduais que dispõem desses especialistas, enquanto o Rio Grande do Norte apresenta índices de apenas 0,5%.

No entanto, a Secretaria da Educação do Paraná informou que, em fevereiro de 2024, foram contratados 300 psicólogos e assistentes sociais, após a análise dos dados do Censo Escolar.

Por outro lado, os estados que lideram em termos de presença de psicólogos nas escolas incluem Alagoas (52,9%), Tocantins (60,7%), Espírito Santo (65,1%) e Pará (45,90%). Em São Paulo, quinto nessa lista, o índice é de 24,90%, conforme dados do Inep.

A psicóloga educacional Verônica Custódio, que atende em escolas de São Paulo, menciona que o suporte é oferecido em grupos de aproximadamente 10 alunos, sem atendimento individualizado.

“Os alunos que participam das minhas sessões são selecionados pela própria escola, e têm suas necessidades específicas. Através do convívio em grupo, consigo compreender melhor suas dificuldades e identificar quem realmente precisa de apoio”, explica.

Ela ressalta que, ao notar questões emocionais ou problemas fora do ambiente escolar, os pais dos alunos são convocados para efetuar um encaminhamento a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para que possam receber atendimento adequado.

Verônica ainda atua em diversas unidades, sendo que um mesmo profissional pode atender em até oito escolas. São 650 psicólogos que atuam, segundo dados fornecidos pelo governo.

Ela finaliza enfatizando a importância da participação dos pais nesse processo: “insto os responsáveis a se envolverem na vida de seus filhos, deixando claro que a escola está lá para auxiliar e não para apontar falhas”.

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Tempo de Leitura do texto: 2,5 minutos de leitura

Publicado em: 2025-07-09 18:08:00

Autor: g1 > Educação

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