quarta-feira, setembro 9, 2026
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Correções Necessárias: 10 Erros Comuns de Português em Reuniões e E-mails do Trabalho

Muitas vezes, na tentativa de impressionar os colegas, as pessoas acabam por cometer erros na língua portuguesa. Essa busca por um discurso mais elaborado pode refletir uma certa insegurança por parte do falante, conforme explica Cassiano Butti, professor do Departamento de Ciências da Linguagem na PUC-SP.

O professor Sérgio Nogueira sugere que o ideal é optar pelo simples e claro, evitando assim confusões desnecessárias. Os erros frequentemente podem ser evitados ao se escolher uma linguagem mais acessível.

Na matéria a seguir, você encontrará exemplos de equívocos que ocorrem rotineiramente em ambientes de trabalho, como reuniões e comunicações informais.

“Vamos corroborar com a equipe de marketing, pessoal!” “O diagnóstico que recebemos dos consultores foi extremamente assertivo, pois não apresentou erros.” “Após tantas inconsistências, teremos que ratificar a nota fiscal.” “Precisamos mitigar o assédio moral na empresa.” “Aquele colaborador enfrenta dificuldades em elaborar relatórios.”

Essas expressões podem parecer sofisticadas em um contexto corporativo, mas todas contêm “escorregões” na norma culta da língua. Abaixo, vamos detalhar cada um deles.

É importante destacar que deslizes na comunicação ocorrem frequentemente, como:

– Confundir significados de palavras semelhantes;

– Cometer erros de concordância;

– Usar expressões que soam formais, mas estão gramaticalmente erradas.

Cassiano Butti acrescenta que muitos desses erros podem ser classificados como “hipercorreções”. Isso acontece quando alguém tenta demonstrar domínio sobre a língua, mas acaba exagerando e se confundindo sem ser realmente proficiente.

Sérgio Nogueira reforça que a abordagem mais segura é optar pelo que é simples no início e, com o tempo, investigar sinônimos mais elaborados se houver necessidade.

Vale lembrar que não devemos menosprezar ninguém por sua maneira de se expressar. O intuito desta matéria é orientar sobre como se alinhar à variante padrão, especialmente em situ ações formais, a fim de garantir uma comunicação eficaz.

A seguir, apresentamos exemplos de erros comuns no cotidiano de quem participa de reuniões:

1 – CORROBORAR (usado como “colaborar”)

Corroborar significa confirmar.

❌ “Vamos corroborar com a equipe de marketing.” ✅ “Vamos colaborar com a equipe de marketing.”

2 – ASSERTIVO (confundido com “acertar”)

Assertivo se refere a expressar opinião com firmeza.

❌ “Ele foi assertivo ao responder todas as perguntas.” ✅ “Ele foi muito assertivo ao expor seu ponto na reunião.”

3 – RATIFICAR e RETIFICAR

Ratificar significa confirmar, enquanto retificar implica corrigir.

❌ “Precisamos ratificar o contrato, pois contém erros.” ✅ “Precisamos retificar o contrato, pois contém erros.”

4 – MITIGAR (confundido com “diminuir”)

Mitigar significa suavizar.

❌ “Vamos mitigar os preços para aumentar as vendas.” ✅ “Vamos mitigar os danos causados pela crise.”

5 – TER e POSSUIR

Ter é mais amplo e se refere a dispor de algo; possuir é mais restrito, ligando-se à posse legal.

❌ “Ele possui febre desde ontem.” ✅ “Ele tem febre desde ontem.”

DESVIOS GRAMATICAIS

Adicionalmente, os professores Nogueira e Butti identificaram outros desvios gramaticais que são comuns em ambientes profissionais:

1 – Uso errado de ‘fazer’ para indicar tempo:

❌ “Fazem cinco anos que estou na empresa.” ✔️ “Faz cinco anos que estou na empresa.”

2 – Flexão incorreta do verbo ‘haver’:

❌ “Houveram muitas reuniões.” ✔️ “Houve muitas reuniões.”

3 – Discordância com “nenhum”:

❌ “Nenhum dos candidatos desistiram.” ✔️ “Nenhum dos candidatos desistiu.”

4 – Conjugação errônea de verbos derivados:

❌ “Quando nós revermos o contrato.” ✔️ “Quando nós revirmos o contrato.”

5 – Inadequação em expressões de acompanhamento:

❌ “Segue anexo os documentos.” ✔️ “Seguem anexos os documentos.”

Pode haver mudanças ao longo do tempo?

Certamente. A língua evolui e se transforma constantemente.

“O português que eu ensinava antes não se compara ao que ensino atualmente. As normas se adaptam, e novas formas podem surgir”, aponta Nogueira.

Um exemplo dessa evolução é o verbo “adequar”, que tradicionalmente apresenta dificuldades de conjugação. Nas formas presentes do indicativo, teríamos apenas “nós adequamos” e “vós adequais”.

Assim, a construção “eu adéquo” não seria considerada correta segundo a gramática formal, sendo melhor usar verbos sinônimos, como “eu adapto” ou “eu ajusto”.

Entretanto, já se observa um movimento claro para a aceitação dessa conjugação: o dicionário Houaiss, por exemplo, já considera a forma completa tanto no presente do indicativo quanto no subjuntivo.

Fique sempre atento às atualizações do g1 Educação para acompanhar as mudanças no idioma e não perder nenhuma novidade!

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